segunda-feira, 13 de outubro de 2008

sobre cidadania no sistema

Vós sois muito mais importantes do que vossa consciência há de sacar e, fiés leitores, já entendereis o porquê.
Eis aqui novamente minha indesejável e antipática presença, senhores, finalmente providenciando algum tempo (e motivação, é verdade) para continuar essa jornada de bloggeiro, que inicialmente deveria ser constituida de apenas crônicas, mas a minha limitação literária e meu hiato criativo (pois é, eu não estou apaixonado =D ) oscilaram entre textos razoáveis sobre nada realmente interessante.
Entretanto, senhores, depois de algum tempo sem postar, resolvi divulgar umas idéias adaptadas de alguns ensinamentos de uma pessoa muito semelhante ao velho Policarpo de Lima Barreto e ilustre no meu limitado círculo social, cujos ideais são no mínimo polêmicos, porém bastante interessantes.
Sem mais delongas, meus leitores, confesso que eu já fui um cara que me preocupava com o nosso modelo, o tal do capitalismo. Já fui de ressaltar as iminentes contradições de um sistema constantemente em crise, que enquanto uma pequena minoria se esforça para se manter mais afortunada, a grande maioria sente os efeitos dessa crescente concentração, até que um dia o mercado empaca e o esse capital acumulado explode e tende a se distribuir, até que os novos ou os reerguidos integrantes da classe dominante recomecem com o ciclo. Isso vive acontecendo (1870, 1929, 1973,...), e possivelmente estamos vivenciando as vésperas de um novo colapso desses.
De uma maneira ou de outra, todo estudante na América Latina (tomara que a Veja não leia isso...), invariavelmente revoltado com esses abusos que o capitalismo assim permite, tende a creditar a culpa exclusivamente no sistema e então busca nos pensamentos de Marx o conforto de uma sociedade igualitária. Se hoje o comunismo ou o socialismo vivem e são divulgados no Brasil, se hoje o Inverta completa seus 17 anos de irritante existência e pichações pela cidade e se hoje o PSoL consegue eleger proporcionalmente a mais votada vereadora dessa última eleição municipal, com certeza e isso eu digo com categoria, foram concebidos com importante participação de uma juventude atuante pós-Guerra-Fria. E obviamente eu não fugi à regra. Buscava em cada centímetro da cidade uma chafurdação gerada pelas lambanças do sistema na qual eu pudesse justificar o emprego de um modelo alternativo e até hoje meus candidatos, pelo menos nas eleições municipais, são do PSoL.
Porém as experiências recentes do marxismo na nossa sociedade conteporânia revelam que nem tudo são flores. Muitos problemas, como o excessivo autoritarismo, a má destribuição de cargos públicos, os índices de corrupção, o desenvolvimento obsoleto de bens de consumo duráveis, a exclusão do mercado e a falta de motivação no desenvolvimento intelectual do cidadão são alguns dos ínumeros problemas que o sistema pode gerar. Há quem argumente que não é o sistema que ocasiona tais problemas e sim o mau emprego do mesmo e eu concordo. E acrescento: isso não aconteceu somente com o comunismo, ou com o socialismo; acontece também com o nosso bom (?) e velho capitalismo. Faça-se justiça.
Não importa o sistema. Parafraseando Mauro Pfiel, "o problema está no paciente, não no tratamento". O sistema é sempre caótico, sempre conflituoso, sempre hostil e oblíquo, sempre cruel e injusto, se o cidadão que nele vive não obtiver a consciência de seu papel dentro dele. É jogando lixo no lixo, dirigir e não beber, atravessar a rua no sinal vermelho e na faixa e não furar o imposto de renda que a gente consegue mudar o nosso mundo. E não falo isso pra militar a favor dos politicamente corretos ou coisa do tipo. Falo isso pra lembrar que o Estado trata a gente como a gente trata o Estado, é ação e reação, nessa disposição e não ao contrário, como a gente gosta de pensar. Os tais "políticos corruptos" que assolam o congresso, o senado ou a câmara não são extraterrestres cujos objetivos são sugar os recursos e a dignidade dos virtuosos seres humanos; eles são o reflexo de uma sociedade, da nossa sociedade. São nossos representantes, no qual seus atos perniciosos são herdados de uma nação que zela inconscientimente por isso.
Dentro desse raciocínio, que pra mim pareceu razoável e esclarecedor, não podemos atribuir a culpa do caos do sistema ao próprio sistema. É a nossa participação consciente, de cidadão, que garante o seu sucesso. E por isso, meus queridos, atenciosos e pacientes leitores, que eu vos disse que sois mais importante do que vossa sacação. É mais fácil mudar o mundo quando todos nós mudarmos o nosso.
Despeço-me de vossa agradável companhia lembrando a vós que essa discussão já me causou alguns "conflitos pessoais", e pra me redimir da maneira efusiva, superlativa e insensível da qual eu acusei uma adorável pessoa de corroborar para esse processo, eu venho a público pedir desculpas a todos os que eu possa estar ofendendo, pois cada caso continua sendo um caso e não conhecemos as motivações de um indíviduo que eventualmente erra. Nós, limitados seres humanos, burgueses, adiposos, tolados em nosso próprio conforto, às vezes esquecemos disso quando acusamos uma outra pessoa de "idiota alienada fora da lei".
"Foi um prazer desgraçado estar aqui com vocês."

terça-feira, 18 de março de 2008

força do pesamento

Existe, em suma, uma força maior onipresente em cada indivíduo vivo e ativo neste mundo: a força do pensamento. Há quem diga que tal força consegue explodir frutas, mover colheres, arrebentar fios, criar tempestades, cristalizar a água, influenciar na decisão da amada, ou até ajudar o seu time a ganhar o jogo. A respeito do poder físico dessa força eu não posso dizer muita coisa, aliás, ao sujeito que acredita nestas besteiras ou perde seu tempo tentando procurar algum resquício de veracidade nisto, desejo do fundo do meu coração uma boa noite de coito, pelo menos.

O poder do pensamento, em sua essência, consiste na divulgação das idéias, na disseminação dos atos, na publicidade dos argumentos, no ideal, e não no misticismo envolvendo a incompetência humana em desvendá-lo. A unidade de pensamento é imensamente importante para formar o ideal, e conseqüentemente, o desenvolvimento conjunto da humanidade. Grosseiramente, podemos ilustrar essa idéia comparando com a progressão vital de uma planta. Primeiro, para existir, seja uma saudável mangueira ou uma erva daninha, haverá uma progenitora que dará origem a uma semente. Esta, por sua vez, ao encontrar solo fértil e condições apropriadas, se reproduzirá, repetindo o processo, e formando, finalmente, uma floresta.

Nesta analogia minimista, encaixamos a personagem “pensamento” no papel da planta. A partir de uma idéia primitiva e atemporal, os ideais começam a se formar. De um pensamento afixado, germina uma idéia. De uma idéia trabalhada, surge o argumento, que devidamente articulado e reproduzido pelo ser progenitor – no caso um cidadão, humano, crítico – gerará as novas sementes, divulgando a ideologia. O conjunto de cidadãos críticos, com idéias trabalhadas e pensamentos afixados formam as vertentes ideológicas, que funcionam como vetores de grandezas diferentes, contribuindo para a força resultante com a qual caminha a humanidade. Há também as vertentes equivocadas, vetores opostos, movidas por ideais particulares e egoístas, que representam um atrito no caminhar da sociedade, a erva daninha, tornando a busca pela utopia humana cansativa demais para ser enxergada.

Favor lembrar que, mesmo lentamente numa pista longa e com barreiras, é a força do pensamento que move a gradual evolução humana, por tanto, pense. Pense, reproduza e se reproduza.

domingo, 27 de janeiro de 2008

fora eurico

Foi unânime, São Januário pulsava de forma tão dionisíaca, tão apaixonada, que se tornava completamente compreensível os atos impetuosos do presidente. Mais que isso, um ser humano reprovado de tal forma, diante de tal nação, sob tais gritos de ódio e rancor, é humanamente inaceitável. Pela primeira vez, aparece o senhor Eurico Miranda ferido gravemente, no mais profundo de seu ego inalcançável, pela torcida de vosso administrado. Encaremos então a expulsão da Força Jovem Vasco de sua casa, ou melhor, de sua pátria, largada ao exílio, não como um AI-5, que anunciava a chegada de uma ditadura furuncular, emaranhada no sistema como uma praga incurável, mas como o frustrado atentado Toneleros, que mais que um estopim, foi a vitória da oposição. Oposição essa não formada pelos nossos abatidos rivais no futebol e tão iguais na chunfrúria e precariedade quanto o Clube de Regatas Vasco da Gama em sua atual administração, mas sim a que diverge das quase intingíveis manchas deixadas na flâmula centenária e muitas vezes gloriosa e que assim como eu, gritaram com toda paixão que arde no sofrido coração imutavelmente vascaíno. Esta sim é a oposição sadia, virtuosa, a quem merece coordenar nossos vitoriosos desportos mais uma vez. Venceremos esta batalha contra esta e todas as outras ditaduras que assolam nosso mundo, meus amigos cruzmaltinos e, finalmente, entraremos para história.



Ao clube de Regatas Vasco da Gama, meu amor mais antigo, meu primeiro amigo.





Revolução!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

morto-Vivo

a eu adoro minha cidade. ta certo que as vezes acontecem coisas estranhas por aqui, quer dizer, não é em todo lugar do mundo que os sinos das igrejas rebatulam ao meio dia e quatro. certa vez estava eu la no centro da cidade mais bonita do mundo esperando a garota mais bonita do mundo aparecer, mas assim como a cidade, a garota não era muito pontual. mas eu era. esperava, fielmente, mas ae eu decidi parar de olhar o relógio e olhar a cidade. olhava as pessoas em frente ao odeon, buscando pensamentos pra ocupar o tempo, mas eles não surgiam. a cidade é como as garotas, não são muito pontuais não, nem no sentido de inspiração. a, mas as minhas reflexões sobre o nada e o lugar nenhum foram terrivelmente interrompidas por uma indivídua, (como se flexiona indivíduo? essa é a palavra que transforma pessoa em coisa, portanto, deve ser inflexível) que limpava suas entranhas com um fragmento de saia jeans que já não fazia parte do corpo dela - não deveria nem fazer parte do armário de pano de chão dela – e banhava-se com o vento em suas caracas, visivelmente preocupante, enquanto cantava assustadoramente alto sambas de uma época que eu gostaria de ter conhecido, bem no meio da cinelândia. as veias saltando de sua garganta sugeriam que aquilo seria a próxima “peça” a se desprender de seu corpo. pronto, era tudo que eu precisava, agora eu já tenho alguns motivos pra ocupar a minha mente, enquanto a menina não chega. na escola eles costumam chamar esses casos de “desvio social”. isso me lembra os lamentos desesperados pelos playboys que botaram fogo no mendigo não sei aonde. eu sei que la na comuna “brasil” encheram o saco com tópico do tipo “que absurdo – botaram fogo no mendigo”. eu não to aqui pra defender sequelado não, muito menos sequelado filhinho de papai, mas eu não consigo enxergar a distancia do que põe fogo e do que critica aquele que põe fogo. eu sei que pode parecer meio radical, mas essas pessoas já estão mortas. não tem sonhos, não tem ambições, não tem motivos pra continuar vagando miseravelmente nesse mundo. são a escória da humanidade, são os miseráveis de um mundo miserável. imagina o que é ser miserável num mundo miserável? ta, estão mortas, alguém discorda? a única diferença entre um cadáver e a indivídua é que o cadáver não está aos nossos olhos. olha lá, a pessoa limpando a vagina com um pedaço de pano sujo de cocô cantando noel rosa no meio da cinelândia. OLHA PORRA. ninguém olha. mesmo com todo o malabarismo miserável da moça, ninguém olha. mesmo com a buceta moribunda de fora, ninguém olha. retiro o que eu disse, o cadáver e o mendigo não tem diferença nenhuma. ou melhor, tem sim. talvez a remota possibilidade de se fazer reviver um morto-Vivo, ou pessoa-coisa, ou desvio social ainda reside no mais profundo canto da espinha de quem é de fato Vivo. não é justo que as pessoas condenem quem os deu a morte, se elas mesmos não têm o bum de os dar a Vida. alguém anuncia a sua chegada, alguém assustadoramente Viva. e bonita. ela não teve que fazer nenhum malabarismo pra eu notar que ela existe. ela me lembra que eu também estou Vivo, e agora chegou a minha vez de esquecer dos mortos. eu amo a Vida.